O MPT-MS (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul) registrou um aumento de 136,4% no número de denúncias de assédio eleitoral na reta final das Eleições Gerais de 2026. Até quinta-feira (22), foram contabilizadas 29 denúncias no Estado, contra 11 registradas até o primeiro turno.
A procuradora-chefe do MPT-MS, Cândice Arosio, avalia que o aumento de ocorrências pode estar relacionado à maior conscientização da população sobre o que caracteriza o assédio eleitoral e quais os canais disponíveis para denunciar a prática.
“É importante que os trabalhadores saibam que a liberdade de escolha política deve ser respeitada e que práticas de coação ou constrangimento no ambiente de trabalho podem ser denunciadas ao Ministério Público do Trabalho.”
Arosio também destaca que o MPT continua recebendo denúncias mesmo após o encerramento da votação ou de um turno eleitoral. Segundo ele, a atuação do órgão não se restringe ao período das eleições, já que as situações denunciadas precisam ser investigadas e, caso sejam constatadas irregularidades, devem ser adotadas as medidas cabíveis.
Canal de denúncia segue disponível 24h
O MPT-MS manterá plantão durante o fim de semana das eleições para atender trabalhadores e receber denúncias de possíveis casos de assédio eleitoral. A medida busca garantir que os trabalhadores possam exercer seu direito ao voto sem sofrer pressões, ameaças ou constrangimentos no ambiente de trabalho por suas escolhas políticas.
O canal de denúncias da instituição ficará disponível 24 horas. As denúncias podem ser encaminhadas pelo site do MPT-MS www.prt24.mpt.mp.br/servicos/denuncias.
Registros aumentaram em outubro
Conforme os dados do MPT-MS, as denúncias de assédio eleitoral dispararam no mês de outubro. Em julho deste ano, foi registrada uma denúncia; em agosto, foram duas; e em setembro, seis.
Os números evidenciam um aumento nas denúncias de assédio eleitoral na reta final das eleições. Até o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Mato Grosso do Sul contabilizava 11 registros. Desde então, foram feitas mais 18 denúncias, elevando o total para 29, um crescimento de 163,6%.
Apesar do aumento, o número ainda corresponde à metade das 58 denúncias registradas no Estado durante as eleições presidenciais de 2022. Os dados deste ano consideram os registros contabilizados até 22 de outubro.
Cenário nacional
No cenário nacional, também foi registrada uma concentração maior de denúncias no período que antecede o segundo turno. Até o dia 20 de outubro, foram contabilizadas 674 denúncias de assédio eleitoral no Brasil, enquanto setembro contabilizou 552 registros. Entre janeiro e outubro de 2026, o total nacional chegou a 1.492 denúncias.
No último pleito presidencial, em 2022, o Ministério Público do Trabalho registrou 3.373 denúncias de assédio eleitoral em todo o país. Desse total, 2.641 foram contabilizadas em outubro, mês da votação, o que demonstra a concentração dos relatos na fase decisiva do calendário eleitoral.
O assédio eleitoral pode se manifestar por meio de ameaças, constrangimentos, intimidações ou outras formas de pressão relacionadas à preferência política ou ao voto do trabalhador. Também é importante que situações envolvendo manifestações em ambientes digitais sejam analisadas considerando as circunstâncias e o possível impacto sobre a liberdade de escolha nas relações de trabalho.
Fonte: Jornal Midiamax




