Seis adolescentes são alvo de medidas judiciais em cinco estados e no Distrito Federal; investigação aponta rede virtual de aliciamento, coerção e violência contra menores
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou nesta terça-feira (15) uma nova etapa da Operação Lívia, que investiga uma rede virtual suspeita de aliciar, manipular e coagir crianças e adolescentes por meio de plataformas digitais.
A ação mira seis adolescentes e cumpre medidas de internação e mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. A operação conta com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça.
Investigação começou após morte de adolescente
O caso veio à tona após a morte de uma adolescente de 13 anos, em Naviraí, no sul de Mato Grosso do Sul, em julho deste ano.
Segundo as investigações, a menina mantinha contato com integrantes de um grupo virtual e teria sido submetida a um processo de manipulação e coerção antes de morrer. A Polícia Civil passou então a investigar a existência de uma rede estruturada que poderia estar atuando contra outras crianças e adolescentes.
A apuração aponta que os suspeitos utilizavam ambientes virtuais para se aproximar das vítimas, conquistar confiança e, posteriormente, submetê-las a ameaças, humilhações e desafios violentos.
Grupo usava diferentes plataformas
De acordo com a investigação, os integrantes buscavam possíveis vítimas em redes sociais e depois as levavam para grupos fechados, onde exerciam maior controle sobre os participantes.
A polícia identificou ainda práticas de coerção psicológica, automutilação induzida e violência contra animais. Os investigadores também apuram a existência de outras vítimas e possíveis integrantes da rede.
A investigação indica que os grupos poderiam migrar de uma plataforma para outra quando encontravam dificuldades para manter as atividades, dificultando o trabalho das autoridades.
Primeira fase já havia levado a apreensões
A nova ofensiva ocorre pouco mais de um mês depois da primeira fase da Operação Lívia.
Na ocasião, um adulto foi preso e cinco adolescentes foram apreendidos. Entre eles estava um jovem de 14 anos apontado pelos investigadores como uma das lideranças do grupo.
A análise dos equipamentos recolhidos na primeira etapa ajudou os investigadores a avançar no mapeamento da rede e identificar novos suspeitos.
Polícia procura outras possíveis vítimas
Com a segunda fase da operação, a Polícia Civil pretende aprofundar a análise das conexões entre os investigados e descobrir a extensão da atuação da rede.
Celulares, computadores e outros equipamentos apreendidos deverão passar por perícia para identificar novas conversas, possíveis vítimas e outros integrantes.
A investigação permanece em andamento.
Importante: os adolescentes são investigados e, até o momento, não há condenação definitiva. As medidas adotadas fazem parte do processo de investigação e responsabilização dos envolvidos.




