Um tapa no rosto durante uma briga em uma tabacaria teria motivado a morte de João Vitor Martins dos Santos, de 14 anos, perseguido e morto a tiros no Jardim Noroeste, em Campo Grande. A versão foi apresentada à polícia por Paulo Gustavo Silva de Oliveira Amaro, de 19 anos, que confessou o crime após ser preso pelo Batalhão de Choque nesta segunda-feira (17).
A defesa de Paulo Gustavo informou que vai questionar a legalidade da prisão e destacou que ainda não há confronto balístico conclusivo que relacione a arma apreendida ao homicídio. O advogado também pediu que a prisão não seja convertida em preventiva. Veja a nota na íntegra ao fim da reportagem.
Segundo o registro policial, Paulo relatou que a discussão ocorreu meses antes. Ele disse que João Vitor e um rapaz conhecido como “Fabinho” teriam dado um tapa em seu rosto dentro da tabacaria.
Aos policiais, o jovem também afirmou que estava à procura de “Fabinho” para matá-lo quando foi localizado pelo Choque.
João Vitor foi morto na noite de sábado (15). Ele caminhava com uma adolescente de 16 anos quando foi interceptado por dois homens em uma motocicleta. O passageiro desceu, perseguiu o adolescente pelo meio da rua e atirou várias vezes.
João Vitor foi atingido na cabeça, no tronco e na perna e morreu no local. Dez estojos de munição calibre 9 mm foram recolhidos pela perícia.
Como foi a prisão
O Batalhão de Choque chegou a Paulo após receber informações de que um possível autor do homicídio era conhecido como “TH”. Os policiais identificaram o suspeito e passaram a fazer buscas em locais frequentados por ele.
Paulo foi encontrado na garupa de uma motocicleta vermelha conduzida por Miguel Oliveira da Silva, de 18 anos. Segundo a polícia, eles fugiram da abordagem e caíram da moto algumas quadras depois.
Durante a perseguição, Paulo teria jogado uma pistola calibre 9 mm. A arma foi recuperada e estava com 14 munições. Conforme o registro policial, foi durante a abordagem que ele confessou ter matado João Vitor e afirmou ter usado a pistola e uma motocicleta no crime.
A arma apreendida é do mesmo calibre dos estojos encontrados no local do homicídio, mas ainda será submetida a confronto balístico para verificar se foi usada no crime. A motocicleta em que os jovens estavam tinha registro de furto.
Apesar de ter sido preso com Paulo, Miguel não foi indiciado pelo homicídio. Ele disse que não participou da morte e que havia sido chamado apenas para conduzir a motocicleta naquela madrugada. Paulo confirmou essa versão.
A Polícia Civil afirma que ainda não há elementos seguros para apontar Miguel como o piloto da motocicleta usada na execução. Ele foi indiciado por receptação e desobediência, enquanto Paulo foi indiciado por homicídio qualificado. A polícia ainda busca identificar o segundo envolvido na morte de João Vitor.
O que diz a defesa
“A defesa de Paulo Gustavo Silva de Oliveira Amaro, representada pelo advogado Wilian Frata, OAB/MS 32.020, informa que a audiência de custódia está prevista para amanhã, 18 de agosto de 2026, perante o Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul.
Paulo Gustavo foi preso no contexto das investigações relacionadas a um homicídio ocorrido em Campo Grande no dia 15 de agosto de 2026. Segundo consta no auto de prisão, ele foi abordado somente na madrugada de 17 de agosto, circunstância que será questionada pela defesa quanto à existência de flagrante em relação ao homicídio.
A defesa também sustenta que a suposta declaração informal atribuída a Paulo Gustavo durante a abordagem não pode, por si só, fundamentar uma prisão cautelar, especialmente diante da ausência, até o momento, de confirmação pericial apontada no próprio procedimento.
Outro ponto destacado pela defesa é a ausência, até esta fase, de confronto balístico conclusivo que estabeleça vínculo técnico entre Paulo Gustavo e o homicídio.
Para o advogado Wilian Frata, a audiência de custódia deve analisar a legalidade da prisão e a necessidade concreta de eventual manutenção da medida, sem antecipação de juízo de culpa.
“A defesa confia no Poder Judiciário e demonstrará que, neste momento processual, existem questões relevantes sobre a legalidade da prisão e sobre a existência de elementos concretos que justifiquem a manutenção da custódia. Paulo Gustavo deve ter assegurado o direito à presunção de inocência e ao devido processo legal.””
A defesa requereu, como tese principal, que não seja convertida a prisão em preventiva e, subsidiariamente, a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão.
O advogado também solicitou que sejam verificadas as condições físicas do custodiado, diante da informação constante no auto sobre escoriações decorrentes do tombamento da motocicleta.”
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Fonte: G1 MS




