Mensagens obtidas pela Polícia Federal e reveladas pelo UOL nesta terça-feira (20) expõem como executivos da gestora de investimentos Reag organizavam operações financeiras envolvendo recursos atribuídos ao empresário Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e empresas ligadas a ele. Os diálogos citam a Áster Petróleo, distribuidora associada ao empresário, e movimentações por diferentes fundos de investimento.
O material acrescenta detalhes à investigação sobre a estrutura financeira ligada ao grupo de Primo, apontado como um dos líderes do esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis investigado pela Operação Carbono Oculto.
Em Mato Grosso do Sul, a apuração identificou o uso de distribuidoras para movimentar e ocultar recursos que, segundo as investigações, ultrapassaram R$ 3 bilhões.
Reportagem publicada em abril pelo Jornal Midiamax revelou que empresas e produtores estavam na lista da Polícia Federal por terem tomado empréstimos suspeitos por meio da Reag.
Conforme reportagem do UOL, as conversas integram o material utilizado pela Polícia Federal para indiciar João Carlos Mansur, ex-proprietário da Reag, e outras 12 pessoas na Operação Quasar. A investigação apura suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de outras irregularidades financeiras.
Primo e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, são apontados pela PF como proprietários dos recursos custodiados na Reag. Os dois não foram indiciados nesse inquérito específico, mas são investigados em outros procedimentos.
A defesa dos empresários enviou posicionamento: “A defesa dos empresários Roberto Leme e Mohamad Hussein afirma que eles não são alvos deste caso e que desconhece os fatos”.
Mensagens citam devolução de R$ 40 milhões
Um dos diálogos revelados pelo UOL ocorreu em dezembro de 2022, quando Mansur conversou com Ramon Dantas, então diretor da Reag, sobre a devolução de R$ 40 milhões a Mohamad, identificado pelo apelido “turco”.
Na conversa, Mansur propôs uma movimentação envolvendo recursos do Banco Master e o fundo Maia antes de o dinheiro retornar ao empresário. A operação previa a aplicação dos valores no fundo, seguida de transferências de volta ao banco e, posteriormente, à Áster Petróleo.
“Antes de devolver o $ para o turco, vamos fazer uma ‘sacanagem’”, escreveu Mansur, conforme as mensagens reproduzidas pelo UOL.
Minutos depois, Ramon informou que havia realizado a aplicação no fundo Maia. Às 10h03, comunicou a devolução dos recursos à Áster Petróleo.
A reportagem ressalva que o relatório policial não esclarece completamente a finalidade da manobra nem informa qual valor o banco teria liberado em decorrência dela.
MS aparece como corredor financeiro do esquema
Em Mato Grosso do Sul, as investigações da Carbono Oculto identificaram empresas de distribuição de combustíveis utilizadas na estrutura atribuída ao grupo de Primo e Beto Louco.
A denúncia contra Primo expôs o uso do Estado para movimentar mais de R$ 3 bilhões por meio de distribuidoras e empresas apontadas como parte da estrutura de ocultação patrimonial investigada pelas autoridades.
As apurações identificaram sete distribuidoras em Iguatemi, município que entrou no radar das autoridades por sua ligação com a estrutura empresarial investigada. A suspeita é de que empresas do setor tenham sido usadas para movimentar recursos de origem ilícita e dar aparência regular às operações.
Fonte: Jornal Midiamax




