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Em menos de 4 meses, chikungunya já supera metade dos casos de 2025 em MS

Em 2026, Mato Grosso do Sul já registra 7.587 casos de chikungunya, entre confirmados e suspeitos. O número representa 54,3% de todos os 14.148 casos prováveis acumulados ao longo de 2025 — um avanço acelerado em menos de quatro meses, com epidemia da doença em 18 cidades do Estado.

Entre 2015 e 2024, a soma de todos os casos de chikungunya registrados no Estado foi de 7.143. Ou seja, o total de 2025 representa quase o dobro do registrado em uma década. No ano passado, os números da doença explodiram em Mato Grosso do Sul, tendência que se repete em 2026.

Agora, os registros de chikungunya superam os do ano passado semana a semana. Para se ter ideia, em março de 2025 foram 2.143 casos prováveis, enquanto no mesmo mês de 2026 o número saltou para 3.653. A alta foi de 70,4% neste período.

As mortes por chikungunya também batem recorde em 2026. Em Mato Grosso do Sul, 12 pessoas perderam a vida para a doença entre janeiro e abril deste ano — 70,6% do total de óbitos registrados em todo o ano passado, quando 17 sul-mato-grossenses morreram de chikungunya.

Os números foram publicados nesta quinta-feira (23), no Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde, com dados atualizados até sábado (18). As informações de anos anteriores estão disponíveis nos boletins epidemiológicos da SES-MS (Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul).

Epicentro da chikungunya no país

Mato Grosso do Sul lidera todos os números relacionados à chikungunya, em comparação com os outros estados do país, desde o início de 2026.

Com 259,4 casos por 100 mil habitantes, a incidência no Estado é mais de 17 vezes maior que a média nacional, de 15. Mato Grosso do Sul lidera o ranking de incidência, seguido de Goiás (111,3), Rondônia (38,9), Minas Gerais (38,7), Mato Grosso (21), Tocantins (15,8) e Rio Grande do Norte (13,8).

Em todo o Brasil, são 19 mortes confirmadas, 12 apenas em Mato Grosso do Sul — ou seja, 63% das mortes estão concentradas no Estado.

Conforme a SES-MS, apenas uma das vítimas não era parte do grupo de risco: um homem de 55 anos, sem comorbidades. Outras nove vítimas tinham mais de 60 anos e duas eram bebês. Os óbitos estão concentrados em Dourados (8), Jardim (2), Bonito (1) e Fátima do Sul (1).

Além disso, o Brasil tem 31.909 casos prováveis de chikungunya, sendo 7.587 deles no Estado. Assim, Mato Grosso do Sul representa 23,7% do total nacional de casos prováveis.

Dourados em calamidade

Conforme boletim epidemiológico municipal, a cidade tem 2.258 casos confirmados da doença e outros 1.406 em investigação nesta quinta-feira (23). Oito das 12 mortes registradas em Mato Grosso do Sul ocorreram em Dourados.

A explosão de casos começou pela Reserva Indígena de Dourados, onde sete pessoas morreram de chikungunya. No entanto, a partir do início de abril, a epidemia avançou para a área urbana, onde os casos concentram-se atualmente.

A doença pressiona o sistema de saúde da cidade. Nos últimos 15 dias, foram 449 atendimentos diários, em média. Antes da epidemia, a média era de 300 por dia. Além disso, 45 pessoas estão internadas com chikungunya na cidade.

Com o rápido espalhamento do vírus chikungunya pela zona urbana, a Prefeitura de Dourados decretou situação de calamidade em saúde pública na segunda-feira (20), devido à gravidade da epidemia e ao colapso da rede de atendimento.

No fim de março, o governo federal reconheceu situação de emergência em Dourados por conta do avanço dos casos. A cidade recebeu mais de R$ 27,5 milhões em recursos federais para medidas de contenção do vírus chikungunya. Além disso, a Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) atuou por um mês no município.

Situação de emergência

Além de Dourados, Jardim e Itaporã também decretaram situação de emergência em saúde pública pelo avanço da doença.

Entre as medidas possibilitadas pelos decretos de situação de emergência em saúde pública, estão compras de insumos e medicamentos sem licitação e contratação temporária e simplificada de agentes de endemias. Em Jardim, o decreto permite até o ingresso forçado em imóveis com focos de Aedes aegypti.

Vacinação

A cidade de Itaporã foi a primeira do Estado a iniciar a vacinação contra a chikungunya. O município recebeu 3 mil das 20 mil doses enviadas inicialmente e tem como meta imunizar 21,2% do público-alvo.

A aplicação começou no dia 18 de abril e, nesta fase, é destinada exclusivamente à população de 18 a 59 anos sem comorbidades. Dourados começa a imunização na segunda-feira (27).

Em Mato Grosso do Sul, foram recebidas 20 mil doses, com total previsto para 46,5 mil. Dessas, 7 mil foram encaminhadas ao núcleo regional de Dourados. A distribuição ocorre de forma fracionada, conforme a capacidade de armazenamento da rede de frio, para garantir a conservação adequada dos imunizantes.

Epidemia em 18 municípios

Com o avanço dos casos, Batayporã, Ladário e Figueirão entraram na lista de municípios em situação de epidemia de chikungunya em Mato Grosso do Sul. Assim, sobe para 18 o número de cidades nessa condição.

  1. Fátima do Sul – incidência de 2.548,4 (548 casos prováveis);
  2. Sete Quedas – incidência de 2.102,1 (238 casos prováveis);
  3. Paraíso das Águas – incidência de 1.540,6 (90 casos prováveis);
  4. Jardim – incidência de 1.428,3 (350 casos prováveis);
  5. Douradina – incidência de 1.196 (69 casos prováveis);
  6. Corumbá – incidência de 899,2 (888 casos prováveis);
  7. Amambai – incidência de 847,9 (354 casos prováveis);
  8. Selvíria – incidência de 837,5 (73 casos prováveis);
  9. Vicentina – incidência de 691,8 (45 casos prováveis);
  10. Dourados – incidência de 626,5 (1.654 casos prováveis);
  11. Batayporã – incidência de 539 (59 casos prováveis);
  12. Bonito – incidência de 535,3 (134 casos prováveis);
  13. Guia Lopes da Laguna – incidência de 533,8 (54 casos prováveis);
  14. Costa Rica – incidência de 511,5 (147 casos prováveis);
  15. Ladário – incidência de 392,4 (88 casos prováveis);
  16. Figueirão – incidência de 319,9 (12 casos prováveis);
  17. Angélica – incidência de 318,4 (36 casos prováveis);
  18. Jateí – incidência de 305,9 (11 casos prováveis).

Tecnicamente, todas as cidades com incidência superior a 300 casos prováveis por 100 mil habitantes estão em situação epidêmica. Com incidência de 259,4 casos por 100 mil habitantes, Mato Grosso do Sul se aproxima do limite considerado epidemia em todo o território estadual.

Como me proteger?

Confira dicas práticas de prevenção, segundo o Ministério da Saúde:

  • Mantenha em dia a manutenção das piscinas;
  • Estique ao máximo as lonas usadas para cobrir objetos e evitar a formação de poças d’água;
  • Guarde garrafas, potes e vasos de cabeça para baixo;
  • Descarte garrafas PET e outras embalagens sem uso;
  • Coloque areia nos pratos de vasos de planta;
  • Guarde pneus em locais cobertos ou descarte-os em borracharias;
  • Amarre bem os sacos de lixo;
  • Mantenha a caixa d’água, os tonéis e outros reservatórios de água limpos e bem fechados;
  • Não acumule sucata e entulho;
  • Limpe bem as calhas de casa e as lajes;
  • Instale telas nos ralos e mantenha-os sempre limpos;
  • Limpe e seque as bandejas de ar-condicionado e geladeira;
  • Elimine a água acumulada nos reservatórios dos purificadores de água e das geladeiras.

 

Fonte: Jornal Midiamax

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