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Alerta de negligência veio 2 dias antes da morte de bebê estuprada pelo pai

Após manter silêncio sobre a morte de uma bebê de apenas 1 ano e 9 meses, vítima de estupro, a prefeitura de Camapuã, cidade a 141 km de Campo Grande, publicou uma nota nas redes sociais, onde lamenta o desfecho trágico e afirma que não houve tempo hábil para o Conselho Tutelar agir. O órgão diz ter sido notificado sobre negligência com a criança dois dias antes da morte.

A negligência se estende há meses. Segundo apurado pela reportagem, a pequena tratou uma infecção na traqueostomia, no Hospital Universitário, na Capital. Havia larvas e piolhos no procedimento. Além disso, a menina apresentava quadro de pneumonia.

Ela reagiu bem ao tratamento no hospital e recebeu alta no dia 8. A mãe retornou para Camapuã e, naquela noite, dormiu com o pai da criança, que estuprou a filha. A menina chegou a brincar no outro dia, segundo relatado pela mãe à polícia. Contudo, passou mal e já chegou sem vida na unidade de saúde da cidade.

No hospital de Camapuã, a equipe médica percebeu os vestígios de abuso sexual. Então, acionou a polícia. O pai confessou o crime, alegando que não “segurou os impulsos sexuais”. Ele está preso desde a data da morte da filha.

Os órgãos competentes, como prefeitura, Assistência Social e Conselho Tutelar foram questionados pela imprensa sobre o acompanhamento da família, tendo em vista os indícios de negligência. Contudo, ninguém havia se manifestado até sábado (12). Vizinhas da família chegaram a fazer manifestação, revoltadas com uma possível omissão da mãe da bebê e dos órgãos competentes.

No sábado, então, a prefeitura de Camapuã publicou uma nota nas redes sociais explicando sobre o atendimento à família da criança, que começou em janeiro de 2024. “(…) por encaminhamento do hospital local, em virtude de questões relacionadas à saúde da menor. O acompanhamento foi mantido até agosto de 2024, quando a família se mudou para o município de Jardim-MS”.

O órgão afirma que no dia 18 de junho de 2025, a rede de proteção foi informada sobre o retorno da família a Camapuã, “ocasião em que foi realizado o atendimento à mãe”. Poucos dias depois, a criança foi hospitalizada.

“No dia 7 de julho, o Conselho Tutelar recebeu um ofício da unidade hospitalar de Campo Grande-MS, onde a criança se encontrava internada, apontando indícios de negligência”. “No entanto, àquela altura, não havia previsão de alta médica que possibilitasse uma intervenção imediata por parte da rede local”, completa a prefeitura.

A alta foi concedida no dia 8 de julho e, por volta das 21h, a criança retornou a Camapuã.

“Lamentavelmente, veio a óbito na manhã seguinte, por volta das 9h. Desde o primeiro momento em que a situação foi formalmente comunicada à rede de proteção, todas as providências cabíveis, dentro das competências legais do município, foram adotadas com responsabilidade, agilidade e sensibilidade”, concluiu a nota.

Revolta

No sábado, a mãe da bebê teve que ser levada para o quartel da PM (Polícia Militar) de Camapuã por medida de segurança. A decisão foi para preservar a integridade física da mulher, diante da forte comoção e revolta que tomou conta da cidade. A Polícia Civil ainda investiga o caso e apura se houve omissão por parte da mãe. Até o momento, não há elementos concretos que indiquem sua participação direta no crime.

 

Matéria: Campo Grande News 

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